Hora pode ser boa para comprar imóvel para morar, diz consultor

Hora pode ser boa para comprar imóvel para morar, diz consultor

Para quem pensa em comprar um imóvel para uso próprio, se for à vista ou com financiamento pequeno, este é um momento interessante, pois estoques das construtoras estão altíssimos e as condições extremamente favoráveis para o comprador. “Faz sentido sentar e negociar se for para morar, mas para investir ainda é muito arriscado, mesmo com a esperada queda forte dos juros”, afirma Ricardo Figueiredo, economista e consultor do programa financeiro Vida Investe da Fundação Cesp. Salas comerciais, por exemplo, são um investimento difícil, pois a oferta ainda é grande e a pessoa pode se descapitalizar com um ativo de baixa liquidez e custos fixos como IPTU e condomínio.

Já para quem não tem muito dinheiro para dar de entrada no imóvel para morar e vai financiar valor muito alto, com o desemprego ainda alto, o risco é muito grande, alerta Figueiredo. “Hoje, todos estão alavancados, endividados, e agora as famílias querem ajustar o orçamento, reduzir endividamento, para depois pensar em investimentos de longo prazo como um financiamento imobiliário”, explica. E a compra de um imóvel exige estudo detalhado para tomar a decisão correta, o que, com a grande oferta dos últimos anos, acabava sendo deixado de lado. “Antes, as pessoas entravam em um feirão e saíam já com financiamento, o que era meio exagerado, não dá para comprar imóvel como se compra sapato”, diz.

Figueiredo acredita que o pior momento para o mercado imobiliário já parece ter passado, mas ainda há muitas salas e apartamentos vagos e empresas em dificuldades. “Até enxugar essa vacância vai ser um trabalho duro”, diz. Mas, se para quem quer investir em imóveis para alugar o momento está ruim, para quem precisa alugar a situação está favorável. “Talvez com a queda de juros o investimento em imóvel volte a fazer sentido na carteira dos investidores, mas com timidez”, sugere o consultor.

Mas ele alerta que o “boom” imobiliário dos anos 2000 não vai se repetir. “Vamos viver mercado imobiliário de verdade, nem tão explosivo como 2011, 2012, mas sem o calvário dos dois últimos anos.”

Além disso, as regras do financiamento imobiliário vão ter de mudar, como no caso dos distratos, em que o comprador pode devolver o apartamento e receber o que pagou de volta. A medida acabou beneficiando o especulador, que comprava vários imóveis com a segurança de que depois, se a valorização do bem não fosse boa, poderia devolve-lo para a construtora. “É uma coisa ruim pois o especulador infla o mercado na alta e derruba na baixa, acentuando as perdas de todos e prejudicando as construtoras e quem quer comprar mesmo o imóvel”, diz.  “O setor ainda precisa de ajustes de jurisprudência e a vacância é predominante”, afirma.